SUMÁRIO
O conhecimento das tendências temporais da qualidade das águas é importante no diagnóstico ambiental de bacias hidrográficas, permitindo avaliar como os corpos d’água vem respondendo ao longo dos anos, em termos qualitativos, à crescente intervenção antrópica. O objetivo deste trabalho é caracterizar a qualidade das águas dos rios da bacia do Piracicaba, utilizando postos monitorados pela CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), no período entre 1979 e 2001. Os parâmetros biogeoquímicos avaliados quanto à sua tendência temporal e magnitude foram: oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), nitrogênio total, nitrato, fósforo total, cloreto, amônio e coliformes fecais. A análise de tendência temporal exige uma metodologia específica, uma vez que as séries temporais obtidas não seguem uma distribuição normal, as amostragens são realizadas irregularmente, os dados apresentam sazonalidade e são dependentes da vazão dos rios. Essa metodologia é dividida em análise gráfica e aplicação de testes de tendência, onde inicialmente realiza-se uma análise exploratória dos dados, seguida da confirmação através de testes estatísticos. Os resultados mostraram que de uma maneira geral existe uma degradação da qualidade das águas, representada pelas tendências positivas nos parâmetros (DBO, nitrogênio, nitrato, amônio, fósforo total, cloreto e coliformes fecais) e negativa no parâmetro (OD).
A quantificação da recarga de um aqüífero é um elemento chave para definir a sua exploração sustentável e para melhor compreender o modelo conceitual de circulação das águas subterrâneas. Tem-se verificado que a rápida recarga em aqüíferos livres e rasos (nível d’água < 3 m) causa mudanças importantes no fluxo advectivo e nos movimentos de dispersão de plumas contaminantes. Uma porção de um aqüífero livre e raso, na Bacia Sedimentar de São Paulo, localizada no Parque Ecológico do Tietê, Município de São Paulo, foi selecionada para este estudo. Nessa área, de aproximadamente 2500 m2, foram instalados 67 poços com 3 m de profundidade para observar a influência da infiltração sobre as cargas hidráulicas. A quantificação da infiltração eficaz, responsável pela recarga, foi também realizada através de seis infiltrômetros. Notou-se que durante a estação chuvosa (dezembro a março) as precipitações de um dia antes das medidas de níveis d’água são as que mais influem na carga hidráulica, apesar de grupos específicos de poços apresentarem relações distintas com a precipitação e carga hidráulica por influência das árvores (interceptação e evapo-transpiração). A recarga potencial é de 46% das precipitações que ocorrem na área e 60% desta recarga potencial se constitui na recarga real ou efetiva.
Estudos realizados em áreas florestadas experimentais mostram que as perdas por interceptação representam uma variável adicional no cálculo do balanço hídrico de uma região. São vários os exemplos encontrados na literatura da influência das florestas temperadas sob essas perdas por interceptação, porém, pouco se sabe sobre a evaporação em florestas tropicais. No Brasil, poucos são os trabalhos experimentais que se dedicam à análise das perdas por interceptação e em menor número são as tentativas de modelagem desse fenômeno. Dessa forma, um estudo da separação da chuva - em perdas por interceptação, chuva que atravessa a vegetação e fluxo de água que escoa pelo tronco das árvores - foi realizado no campus universitário da Universidade Federal de Minas Gerais - entre 01/97 e 06/98. Essa área pertence à bacia hidrográfica do Córrego Engenho Nogueira, onde a UFMG, em convênio com o CDTN - Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear-, implantou uma bacia experimental. Os dados da quantidade de água que atinge o solo diretamente ou por drenagem dos troncos foram obtidos a partir de 10 pluviômetros distribuídos aleatoriamente e de coletores instalados em 6 árvores representativas em uma área de 10x10m, situada em uma região florestada da bacia experimental. A chuva acumulada utilizada neste estudo foi de 1087mm. As parcelas da chuva coletada pelos pluviômetros e escoada pelos troncos foram, respectivamente, de 67% e 10% da chuva total. Assim, a perda por interceptação relativa ao período em estudo foi estimada em 23 ± 8% da precipitação medida. Dois modelos numéricos de previsão de valores das perdas por interceptação em áreas florestadas - Gash e Rutter - foram descritos e aplicados neste trabalho. Ambos os modelos foram capazes de estimar as perdas por interceptação em florestas tropicais de forma semelhante a que o fazem em florestas temperadas. Entretanto, observou-se que esses subestimam as taxas entre perdas por interceptação e chuva total: 20% da chuva para o modelo de Gash e 19% para o modelo de Rutter contra 23% da chuva para as perdas estimadas a partir de medições em campo. Isto é causado por grandes diferenças na interceptação medida e calculada pelos modelos em dias com chuva superiores a 25mm.
Neste artigo, será evidenciada a existência de um importante episódio na história da gestão dos recursos hídricos no Brasil, ocorrido, durante o período colonial, nas minas de ouro de Minas Gerais. São apresentados os trabalhos de mineração e o modo como a água era utilizada nesses trabalhos. São apresentados, ademais, o controle que a Coroa portuguesa exerceu sobre o uso da água nessas minas e as conseqüências ambientais desse empreendimento, como o assoreamento e as alterações da paisagem. Ao final, conclui-se que a gestão dos recursos hídricos no Brasil não deve ser considerada um fenômeno recente, que surgiu ao longo do século XX, como sugerem ou divulgam, equivocadamente, algumas publicações do setor, mas sim um processo que foi inerente à colonização portuguesa, variando conforme as conjunturas sociais, políticas, econômicas e ambientais.
A previsão de vazão é utilizada em diferentes áreas da gestão dos recursos hídricos para minimizar as incertezas da variabilidade climática. A previsão de vazão pode ser realizada com base na vazão do próprio local, de um posto a montante ou à partir da precipitação conhecida e/ou prevista. A previsão da vazão com base na precipitação permite uma antecedência maior, mas exige modelos mais sofisticados e investimento em monitoramento. A previsão pode ser realizada em curto prazo, horas ou dias de antecedência, e em longo prazo, de 1 a 9 meses. Os modelos utilizados na previsão podem ser empíricos ou conceituais. Os primeiros estabelecem procedimentos matemáticos para relacionar as variáveis, sem estabelecer relações físicas de comportamento e os segundos utilizam-se do conhecimento físico para estabelecer as previsões. Nos modelos de previsão de vazão procura-se obter a variável com uma antecedência t no futuro a partir do tempo t. Neste instante são conhecidas as variáveis como a vazão no local e a precipitação até o tempo t. A precipitação futura, entre t e t+t não é conhecida e afeta os resultados a partir do tempo de concentração da bacia. Os modelos hidrológicos têm utilizado artifícios como geração estocástica de precipitação ou mesmo admitir a precipitação nula neste período. Com o aprimoramento dos modelos atmosféricos nos últimos anos para a estimativa da precipitação, criou-se a oportunidade de ampliar a antecedência da previsão hidrológica desde que a precipitação citada possa ser prevista de forma confiável pelos modelos atmosféricos. Neste artigo são apresentados os principais procedimentos utilizados na previsão integrada de modelos atmosféricos e hidrológicos, para prever a vazão e diminuir a incerteza e o risco dos usos da água e da conservação ambiental. Este é um desafio atual e interdisciplinar que têm vários objetivos práticos de curto e longo prazo para os resultados da previsão.
Para a quantificação da fase livre em contaminações subterrâneas usa-se a leitura da espessura aparente (espessura de fase livre medida no poço de monitoramento). Entretanto, a espessura aparente é diferente da espessura real (espessura de contaminante realmente existente no solo). Para se obter a espessura real a partir da espessura aparente é preciso usar uma equação matemática. Nas contaminações com gasolina brasileira, a presença do etanol altera o comportamento da contaminação devido a mudanças nos parâmetros físicos da gasolina e no comportamento hidrofílico do etanol que tende a migrar para a água do aqüífero. Neste artigo é proposta uma relação matemática entre espessuras real e aparente e são realizados testes de ajuste da equação em experimentos, comparando contaminações com gasolina pura e com gasolina e etanol em meio poroso de esferas de vidro e areia quartzosa. A equação apresentou bom ajuste para o meio poroso composto de esferas de vidro e gasolina pura, demonstrando que para a gasolina com etanol deverá haver a inserção de um termo que contabilize a transferência do etanol para a água e melhor avaliação do meio poroso real.
Este trabalho, que corresponde a um extrato da tese de doutorado desenvolvida por Brandão (2004), é fundamentado no uso de modelos de otimização de Programação Não-Linear criados com a ferramenta GAMS e resolvidos com o pacote MINOS, que resultou no modelo SFPLUS. O estudo de caso refere-se ao sistema de reservatórios da bacia do rio São Francisco. O estudo enfoca a otimização do sistema segundo o método das restrições e o método das ponderações. Faz-se também uma exploração sobre o tratamento dos aspectos estocásticos do problema. Os resultados indicam que o método das restrições é mais fácil e direto de ser aplicado. Porém, permite a análise de no máximo três usos. O método das ponderações permite avaliar um número maior de usos. Contudo, é necessário estabelecer a priori os coeficientes de ponderação entre estes..O uso de séries sintéticas afeta os resultados da análise de usos múltiplos, quando comparados com os resultados obtidos a partir de dados históricos.
A previsão de vazões em tempo real consiste na utilização de modelos hidrológicos para prever a vazão em tempos futuros. Esta previsão pode ser utilizada para alerta hidrológico e para melhorar a operação de sistemas hidrelétricos. Pode ser realizada com base em postos de vazão, com base na precipitação, ou então em ambos. Este artigo apresenta a descrição de uma metodologia de previsão de vazão afluente a reservatórios hidrelétricos baseada na transformação de chuva em vazão utilizando modelo hidrológico distribuído e incorporando previsões quantitativas de precipitação de um modelo meteorológico regional. A metodologia foi aplicada na bacia do rio Uruguai, até o reservatório de Machadinho localizado entre os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O método proposto foi verificado para três eventos de cheia ocorridos nos anos de 2001 e 2002. Os resultados mostram que a previsão de vazão pode beneficiar-se significativamente da previsão quantitativa de chuva.
A qualidade das águas dos mananciais usados para abastecimento público tem sido alterada com o crescente processo de urbanização dos municípios brasileiros. Buscando quantificar o grau de alteração, faz-se neste trabalho uma avaliação das evoluções espaciais e temporais da qualidade das águas dos mananciais superficiais, usados pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento - CASAN, para abastecimento das comunidades inseridas na bacia do rio Itajaí. Foram analisadas as séries históricas de análises físico-químicas e bacteriológicas das águas brutas, realizadas rotineiramente pela empresa, através de um índice de qualidade de águas. As amostras foram coletadas em 42 mananciais, de 38 municípios, no período compreendido entre 1984 e 2002. O índice de qualidade de água de Bascarón foi usado para duas situações. A primeira considera apenas as médias anuais dos parâmetros disponíveis das amostras de água, chamado de IQA objetivo e a segunda introduz uma constante de ajuste que considera o “aspecto” da água, considerado na oportunidade da coleta, chamado de IQA subjetivo. No primeiro caso, constata-se que em termos de concentrações médias dos parâmetros, a bacia do rio Itajaí apresenta uma tendência de melhoria, ao longo dos anos. No entanto, para a segunda situação, esta tendência é no sentido inverso, mas não na mesma intensidade. Neste caso a tendência é levemente decrescente.
A construção e operação de usinas hidrelétricas gera inúmeros impactos ambientais, alguns deles denominados externalidades negativas, cujos custos não são repassados aos consumidores e são pagos pela sociedade como um todo. As emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global, enquadram-se no conceito de externalidades negativas. Este trabalho apresenta uma metodologia para se calcular o valor das externalidades associadas às emissões de gases de efeito estufa de algumas usinas hidrelétricas situadas no Estado de Minas Gerais, utilizando dados georeferenciados da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, e informações técnicas e econômicas disponibilizadas pelo setor elétrico.
Diversos sistemas públicos de abastecimento de água de cidades brasileiras utilizam majoritária ou exclusivamente água subterrânea captada em poços tubulares profundos, sendo que a grande maioria desses poços necessita de equipamentos de bombeamento para efetuar a elevação da água até a superfície com custo operacional elevado devido às despesas com energia elétrica. No presente trabalho, foi desenvolvida uma metodologia para análise de dados operacionais de poços e respectivos sistemas de bombeamento, incluindo a determinação do rendimento eletromecânico dos equipamentos utilizados. A aplicabilidade da metodologia proposta foi avaliada através de estudo de caso, realizado com 21 poços utilizados no abastecimento público da cidade de São Carlos - SP. Os resultados obtidos indicaram que, com a utilização de equipamentos de bombeamento de alto rendimento, será possível reduzir 15% do consumo de energia elétrica, proporcionando uma redução de despesa que poderá cobrir, em 5 anos, mais de 50% dos valores dos investimentos necessários em novos equipamentos. Tendo como diretrizes gerais a otimização do rendimento de poços profundos, propostas para a modernização de sistemas de bombeamento de água são apresentadas, visando contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços e economia de recursos.
Este estudo tem como objetivo analisar o impacto das ações antropogênicas no escoamento superficial da bacia hidrográfica do açude Epitácio Pessoa, por meio do estabelecimento do balanço hídrico. A contribuição do fluxo para o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) vem, principalmente, das sub-bacias do Alto Paraíba e do Taperoá. Para estimar ou gerar os valores de escoamento superficial do rio Paraíba, em Caraúbas e do rio Taperoá, em Poço de Pedras, foi desenvolvido um modelo baseado na identificação e quantificação dos principais processos hidrológicos. Aqui, as componentes do balanço hídrico foram estimadas em escala diária. Inicialmente, a variação da precipitação é tratada no modelo, visto que é um dos fatores climáticos mais importantes para o escoamento superficial. Os resultados são apresentados em termos de distribuição mensal do escoamento superficial. De acordo com os resultados, observou-se que o escoamento superficial da bacia em estudo foi alterado ao longo dos anos, tendo havido retardo e diminuição do mesmo. Essa modificação ocorreu devido a ações não planejadas do homem, como, por exemplo, construções desordenadas de açudes à montante de Boqueirão. Foi observado que não houve modificação no padrão da precipitação ao longo do tempo e por isso sugere-se que as mudanças ocorridas nos escoamentos são devidas a alterações de uso do solo. A metodologia utilizada permitiu representar a variação hidrológica da bacia hidrográfica do açude Epitácio Pessoa e proporcionar melhor manejo dos recursos hídricos da bacia. Essa metodologia poderá servir como modelo de previsão e apresentar as possíveis mudanças de comportamento da bacia.
Um dos problemas que compromete a sustentabilidade do uso de água subterrânea é o risco de subsidência do solo que precisa ser analisado com cuidado para prevenir ou mitigar prejuízos em edificações e pavimentos. Uma das causas de subsidência do solo é a retirada de fluido de vazios subterrâneos (poros ou cavidades). Nos grandes centros urbanos e em áreas destinadas à agricultura e às atividades industriais, a explotação demasiada de água subterrânea, que resulta num ritmo de extração superior à capacidade de recarga, constitui a causa mais comum de subsidência, como pode ser observado na grande quantidade de registros do fenômeno em todo o mundo. A discussão sobre os mecanismos de ocorrência indica a necessidade de maior investigação sobre o tema, envolvendo aqüíferos cársticos e sedimentares, para o desenvolvimento de ferramentas de previsão e simulação de cenários, de estratégias de monitoramento e de técnicas de mitigação do problema.
A recarga artificial de aqüíferos pode ser empregada no aumento de disponibilidade e armazenamento de água, controle de salinização em aqüíferos costeiros e controle de subsidência de solos. O sistema aqüífero da Planície do Recife (PE) é composto por dois aqüíferos profundos, Cabo e Beberibe, de características confinadas, recobertos por um aqüífero freático, o Boa Viagem. O problema do rebaixamento excessivo nos níveis do aqüífero Cabo pela super-explotação é agravado pelo elevado grau de urbanização que diminui sobremaneira a oportunidade de recarga natural do sistema. Desta forma, destaca-se a relevância de se avaliar o potencial da recarga artificial utilizando água de chuva como alternativa para recuperação dos níveis potenciométricos do aqüífero Cabo. Neste contexto, apresenta-se neste trabalho a condução de experimento de recarga artificial que utiliza águas de chuva, juntamente com a análise de ensaios preliminares de campo. Os ensaios foram realizados na área de maior redução dos níveis potenciométricos do aqüífero Cabo, a fim de verificar a resposta em campo à recarga artificial. Com a finalidade de se analisar diferentes cenários de recarga artificial, foi efetuada análise numérica, utilizandose modelo em elementos finitos, CODE- BRIGHT. Os resultados indicam que a recarga artificial através de poços de injeção na área em estudo é viável, devendo ser realizados estudos de adicionais de longo prazo de modo a avaliar a variação dos níveis em resposta a recarga.
A área de estudo abrange uma superfície de 1320 km2, situada numa região semi-árida com precipitações pluviométricas da ordem de 798,2 mm anuais. A geologia compreende arenitos da Formação Açu, limitados ao norte pela Formação Jandaíra e ao sul pelo embasamento cristalino. O aqüífero Açu corresponde a porção inferior da formação homônima, formado por arenitos com intercalações argilosas, apresentando-se sob a forma de aqüífero livre com a ocorrência de semiconfinamentos localizados. O objetivo principal do trabalho é avaliar as potencialidades do aqüífero Açu, verificar as possibilidades de manutenção das descargas atuais de bombeamento e determinar uma possível ampliação da oferta de água tendo em vista o desenvolvimento da região. Os principais problemas apresentados dizem respeito a irregularidades nas vazões dos poços e na salinidade das águas. A estrutura hidrogeológica e o funcionamento hidráulico do sistema aqüífero Açu foram definidos com base no cadastramento de poços, dados de estudos geofísicos, campanhas de medições de níveis de água e interpretação de resultados de testes de bombeamento. Na estimativa da recarga das águas subterrâneas foram aplicadas diferentes metodologias: Balanço hídrico, Lei de Darcy e Balanço de cloreto. A qualidade da água foi avaliada mediante determinação in situ da condutividade elétrica seguida de coleta de amostras para análise química completa. A transmissividade do aqüífero cresce no sentido de sul para norte, segundo a direção do fluxo subterrâneo, condicionando melhores possibilidades hidrogeológicas na faixa norte da área. Na faixa sul, além do aqüífero ser de baixo potencial hidrogeológico, as águas apresentam problemas de salinização. Atualmente o volume de água disponível para a população é em média 8 milhões de m3/ano, o que representa cerca de 15% da recarga estimada em 54 milhões de m3/ano. Ficando, portanto, evidenciada a possibilidade de manutenção das descargas atuais de bombeamento e a maximização da oferta de água. O uso deste recurso em condições de sustentabilidade requer, entretanto, a adoção de medidas adequadas de manejo.
Descrevem-se as possibilidades e limitações da região semi-árida do Nordeste do Brasil para o desenvolvimento de agricultura familiar. Analisa-se em particular o problema da água e da energia, mostrando que existem diversas alternativas para resolver o problema da água, basicamente através da exploração de reservas subterrâneas devidamente selecionadas. Experiências realizadas em pólos de desenvolvimento regional durante as últimas décadas mostram que o clima é perfeitamente propício para vários tipos de cultivo de alto valor agregado, uva entre eles. O balanço de água de um sistema de micro irrigação permite comprovar que é possível utilizar a tecnologia de bombeamento fotovoltaico para operar esses sistemas de forma tecnicamente viável, nos casos de empreendimentos de agricultura familiar. Por exemplo, um hectare de uva irrigada requer um gerador fotovoltaico de 1,3 kW de potência pico para bombear 20 m3 de água por dia com 40 m de altura manométrica. Uma análise econômica simplificada mostra que os sistemas de irrigação para cultura de uva começam a dar retorno positivo a partir do terceiro ano. O estudo comprova, portanto, sua viabilidade, tanto do ponto de vista técnico como financeiro. A implantação desses sistemas poderá se traduzir em um aumento significativo no ingresso dos agricultores da região.
Por mais de uma década os Perfiladores Acústicos de Correntes por efeito Doppler (PACD) vêm sendo comumente utilizados para fazer medições de correntes. Eles fornecem perfis de corrente com excelente resolução temporal e espacial. Nos PACDs convencionais, a amplitude do sinal acústico refletido é armazenada na memória do equipamento para o controle da qualidade dos dados e assim determinar a precisão das medições de velocidade. No entanto, estas informações possuem uma relação direta com a concentração do material particulado em suspensão (MPS) na água, o que faz destes equipamentos potentes ferramentas no monitoramento do MPS. O presente trabalho relata alguns experimentos realizados para calibrar um PACD convencional para se obter informações sobre o MPS na água. Devido ao grande volume de amostragem destes equipamentos, a calibração somente pode ser realizada em campo. O modelo calibrado foi um Aquadopp Profiler® da marca NortekTM, com uma freqüência de trabalho de 1 MHz. A calibração do PACD foi realizada no estuário do Rio Itajaí-açú com a utilização de um turbidímetro de retro espalhamento ótico e amostras de água para determinação gravimétrica do MPS. As calibrações demonstraram boa concordância entre as informações coletadas pelo turbidímetro ótico e pelo PACD e foram geradas equações para se converter as informações acústicas coletadas pelo PACD em informações de MPS na água para este estuário.
Por meio de três experimentos realizados no estuário do Rio Itajaí-açú foi possível avaliar o desempenho de dois modelos de Perfiladores Acústicos de Corrente por efeito Doppler (PACD) na determinação da concentração de Material Particulado em Suspensão (MPS) na água. O primeiro experimento consistiu no fundeio de um PACD por dois meses ao largo do estuário do Rio Itajaí-açú, próximo a isóbata de 10 metros. A partir dos dados coletados foi possível verificar os padrões de correntes e transporte do MPS nesta região. O segundo experimento consistiu no monitoramento da pluma sedimentar ocasionada por uma draga de extração de areia. Utilizando um PACD com o dispositivo “Bottom Tracking”, que o permite funcionar montado a uma embarcação, foi realizado um perfil em direção a uma draga de extração de areia em operação. A partir das informações acústicas coletadas pelo PACD foi possível verificar a pluma sedimentar causada pela draga e a concentração de MPS na mesma. Neste experimento uma limitação deste método ficou evidente. Sob a condição de alta concentração de MPS o PACD não conseguiu obter informação do fundo. No ultimo experimento buscou-se verificar a distribuição do MPS ao longo do estuário do Rio Itajaí-açú sob condição de alta descarga de sólidos em suspensão. Para tal foi realizado um perfil vertical-longitudinal com um PACD e simultaneamente com um turbidímetro de Retro Espalhamento Ótico (REO) para se comparar as medições. Este experimento mostrou uma outra limitação deste método para estimar a concentração de MPS na água, a limitação quanto ao tamanho das partículas em suspensão e a freqüência do PACD utilizado. O PACD 1,5 MHz utilizado neste experimento não foi capaz de visualizar as partículas finas presentes no estuário.
A Lagoa Rodrigo de Freitas, situada na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, recebe uma significativa parcela de esgotos domésticos, detectados pelos parâmetros indicativos da qualidade de suas águas. A região onde está localizada apresenta uma urbanização consolidada e um sistema de coleta de esgotos sanitários que atende a toda população residente, cuja implantação acompanhou o desenvolvimento urbano da região, a partir do final do século XIX. Este trabalho apresenta uma análise crítica do sistema de esgotamento sanitário da bacia contribuinte à Lagoa Rodrigo de Freitas, avaliando a sua vulnerabilidade. Apresenta-se a avaliação hidráulica do sistema através do aplicativo computacional SewerCad, da Haestad Methods Inc., apropriado para projetos e análise de escoamentos por gravidade, considerando hipótese que correspondem às condições reais de operação, com uma série de prováveis contribuições, pertinentes ou não a uma rede coletora de esgotos sanitários.
O rio Paracatu é o afluente com a maior contribuição para o rio São Francisco. Conflitos pelo uso da água na bacia do Paracatu iniciaram, a partir da década de 1970, com a intensificação do processo de sua ocupação econômica. Tendo em vista o crescente uso dos recursos hídricos na bacia do Paracatu, o presente trabalho teve como objetivo analisar o comportamento das vazões consumidas pela irrigação e pelos abastecimentos animal e humano (urbano e rural) de 1970 a 1996 nesta bacia e o impacto das vazões consumidas pelos segmentos analisado. A estimativa das vazões consumidas pela irrigação e pelo abastecimento animal foram realizadas com base nos dados dos censos agropecuários, enquanto as vazões consumidas pelo abastecimento humano (urbano e rural) foram estimadas com base nos dados dos censos demográficos. As vazões consumidas pela irrigação e pelos abastecimentos animal e urbano tiveram crescimento durante o período estudado, enquanto a vazão consumida pelo abastecimento rural diminuiu com o tempo. A taxa de crescimento do consumo de água na bacia foi de 0,20m3 s-1 ano-1, sendo 0,19 m3 s-1 ano-1 correspondente ao aumento do consumo de água pela irrigação. Embora a vazão consumida no mês de maior demanda, para as 18 seções analisadas, tenha representado de 3,8% a 71,2% da Q 7,10 no ano de 1996, a vazão consumida apresentou pouca influência na vazão média de longa duração.
Gestão de recursos hídricos compõe um conjunto de ações regulamentares, de direcionamento e acompanhamento de ações antrópicas com suporte de uma estrutura legal, institucional, técnica e política. Apesar de existir esta estrutura no Brasil, são poucas as experiências do Estado brasileiro na efetiva prática desta gestão, especialmente no que se refere ao uso de Sistemas de Informações no nível de bacia hidrográfica. Este trabalho tem por objetivo apresentar metodologia de modelagem conceitual de dados geográficos com vistas a implementação de sistemas de informações focalizados no gerenciamento de recursos hídricos.

